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domingo, 4 de dezembro de 2011

Toda hora é hora de correr

Cada corredor tem seu horário preferido para praticar o esporte. Veja algumas dicas e vantagens de correr em cada período do dia


Foto: Divulgação/ Nike
Por Fernanda Silva

É certo que cada atleta tem um momento preferido do dia para correr e que o organismo, geralmente, se comporta melhor neste período em que o corredor está habituado a treinar. Porém, por conta das tarefas diárias e de compromissos pessoais, às vezes é preciso mudar a rotina de treinamentos, deixando de lado os gostos ou condições ideais para a prática. Portanto, correr pela manhã,à tarde ou à noite é algo muito relativo e que tem suas vantagens e até possíveis desvantagens.

O ideal é saber em qual período do dia é melhor treinar e isso só se descobre tentando. Variar os horários dos treinos é importante, além disso, para adaptar o corpo há diversas condições climáticas, além de descobrir como seu organismo reage à corrida em cada momento do dia e nas competições. E isso inclui também alguns cuidados antes e depois dos treinos, que devem ser tomados de acordo com o turno da sessão, como a alimentação, a vestimenta, entre outros.

Corrida matinal
O período da manhã pode ser considerado um dos favoritos, tanto para os praticantes, como para os treinadores. Neste horário, geralmente, o atleta está mais descansado, a umidade relativa do ar está mais alta e a temperatura mais amena, ajudando a elevar a qualidade do treino. Além disso, a prática matinal aumenta a disposição para as tarefas ao longo do dia. Se o corredor passar o resto do dia cansado, porém, pode ser um sintoma de exagero. “O bom da atividade feita pela manhã é que ela te deixa mais disposto, se sentir um cansaço excessivo, é preciso procurar a orientação de um profissional”, aconselha Enzo Amato, diretor técnico da assessoria esportiva que leva seu nome.

“É preciso ficar atento à um bom alongamento e aquecimento, pois o corpo demora um pouco mais para aquecer nesse período”, indica Leandro Sandoval, diretor técnico da Life Training Assessoria Esportiva. Outro ponto importante desse turno é o café da manhã. Cada corredor sabe o que lhe cai melhor nessa refeição, portanto tome cuidado para não ingerir alimentos pesados e indigestos. Água, frutas e sucos naturais, pães e biscoitos integrais, iogurtes e queijos magros, barrinhas de cereal, são boas pedidas. Treinar em jejum nunca! (Veja aqui dicas de alimentação antes dos treinos).

Tarde de treinos
Para aqueles que, devido à correria do dia a dia, precisam tirar alguns minutos da tarde para treinar, os cuidados devem ser maiores com a temperatura e com a alimentação. Neste período, dependendo da região e da época do ano, o clima está mais quente e mais seco. Portanto, se os treinos forem à tarde - e ao ar livre, preocupe-se com protetor solar, água, boné ou viseira, óculos, roupas leves etc. E isso vale também para os horários de sol forte, das 10h às 16h. “Pular o almoço para treinar ou treinar logo após comer não é indicado. A orientação de um nutricionista pode solucionar essa questão”, indica Amato.

Treinos noturnos
Correr à noite tem algumas vantagens similares com as dos treinos matinais, como a temperatura mais amena e a umidade relativa do ar mais alta, dependendo do lugar e da estação. Em lugares quentes, o fato de não se expor ao sol é uma vantagem, apesar da poluição estar mais concentrada, o que pode ser ruim para a respiração e para a pele, por exemplo. Além disso, alguns cuidados devem ser tomados em relação a segurança. “Cuidado com a partes escuras do percurso, pois um buraco ou desnível do piso poderão ser muito prejudiciais”, explica Sandoval.

Portanto, opte por roupas claras e chamativas ou até coletes sinalizadores. Locais mais iluminados e movimentados e correr acompanhado também aumenta a sensação de segurança. “E atenção redobrada com o esforço do treino, pois o corpo nesse período, normalmente, já está mais cansado e com desgaste excessivo. isso pode aumentar risco de lesões”, acrescenta o treinador, que reforça a importância de uma refeição balanceada antes e depois dos treinos noturnos, que proporcione energia suficiente para a atividade e ajude na recuperação.

domingo, 27 de novembro de 2011

Recuperação ativa

Praticar atividades físicas de baixo impacto, como natação, ciclismo e pilates, pode ser proveitoso para quem não quer ficar totalmente parado nos dias de descanso da corrida


Foto: Divulgação/ Vo2 Prólogo
Por Fernanda Silva

Os dias de descanso nas planilhas de treinamento são necessários para o corpo se recuperar do esforço feito durante as sessões de corrida. Mas isso não significa, necessariamente, que o corredor deve ficar totalmente afastado dos exercícios durante essa pausa. Praticar atividades físicas leves e de baixo impacto pode auxiliar na recuperação e ainda melhorar o desempenho do atleta. Isso porque essas atividades ajudam na manutenção de todo o condicionamento físico, melhorando a capacidade cardiovascular sem prejudicar as partes envolvidas na corrida. Podem também trabalhar outros grupos musculares, sem interferir no descanso.

“Essas atividades fazem com que o corpo e a mente trabalhem algo novo, aliviando as tensões causadas principalmente pela repetição do movimento feito durante a corrida, que quase sempre atinge os mesmos locais”, explica o diretor técnico da Trilopez Assessoria Esportiva, Diego Lopez. São indicadas, então, atividades como natação, hidroginástica, ciclismo, pilates e até aulas de alongamento. Esportes em grupo também é uma boa pedida, pois irão estimular a diversão. Mas é importante tomar cuidado com os movimentos mais bruscos, que aumentam a chance de se lesionar.

Na medida certa
Tanto para o corredor iniciante quanto para o mais avançado, essa recuperação ativa deve ser feita de maneira gradual e sempre com baixa intensidade. “Isso é essencial para não sobrecarregar os sistemas muscular e esquelético, que estão em plena regeneração”, afirma Paulo Rennó, diretor técnico da assessoria esportiva que leva seu nome. Esse ponto é muito relevante, pois se a carga do treinamento anterior ao descanso foi intensa, a atividade extra deve ser o mais leve possível. Portanto o ideal é dar ênfase ao grupo muscular que não foi trabalhado. “Trabalhar mais braço do que perna, por exemplo, depois de um dia de treino de tiro”, explica Rennó.

Também é válido fazer uma recuperação ativa numa fase de transição, para aprimorar a qualidade da corrida e o condicionamento físico. “É interessante encaixar outra atividade em um dia de descanso, especialmente após um período sem treinar, como nas férias. Isso irá ajudar o corpo a retomar a forma e fazer a recuperação ao mesmo tempo”, indica Lopez. Essa quebra de rotina não precisa ser apenas com uma atividade. Variar o esporte a cada pausa na planilha é uma boa dica. Além disso, aumentar a frequência dessa pratica também é possível, desde que não prejudique seu foco – a corrida -, e que seja feita para relaxar e se divertir, sem maiores preocupações.

domingo, 20 de novembro de 2011

Mantenha a postura

Veja dicas para correr de forma melhor e evitar os erros posturais mais comuns na corrida


Por Fernanda Silva

A postura durante a corrida é algo muito particular. É como uma impressão digital do atleta. Mesmo nos pelotões de elite, no qual os corredores correm quase todos iguais, cada um tem seu jeito e seu estilo de correr. Desta forma, portanto, pode-se dizer que não há uma maneira exata de praticar o esporte, mas sim algumas técnicas que podem melhorar sua postura durante a corrida e, consequentemente, seu desempenho. Seguir essas “regras básicas” pode evitar também alguns problemas, como certas dores e lesões advindas de erros posturais.

O ponto principal de uma boa postura é a naturalidade, já que a corrida é um movimento que faz parte da biomecânica do ser humano. Correr o mais natural possível é importante também para economizar energia durante a atividade física e não desgastar excessivamente o corpo. Mas algumas dicas são importantes. “A postura ideal para se correr é com um olhar para o horizonte, tronco ligeiramente inclinado a frente, pélvis centralizada e pernas se movimentando dinamicamente a cada passada”, explica Miguel Sarkis, diretor técnico da assessoria esportiva Miguel Sarkis Personal Trainer. “Os braços devem estar dobrado a 90 graus, mantendo o balanço (com cotovelos para trás), no ritmo da passada”, complementa a treinadora da Life Training Assessoria Esportiva, Mariana Cândido Sandoval.

Fique atento!
Correr com os braços contraídos juntos ao corpo, apertar demais as mãos e balançar demais o tronco são alguns erros comuns durante a corrida e que também devem ser evitados. “O certo é deixar o tronco levemente inclinado pra frente, mas sem exagerar”, indica Paulo Rennó, diretor técnico da assessoria esportiva que leva seu nome. Muitos destes erros posturais podem acontecer por certos vícios de movimento e desvios na coluna como lordose, cifose e escoliose, entre outros. “Alguma lesão mal curada que o corredor se acostuma, por exemplo, e depois não percebe que está expressando durante as passadas”, acrescenta Rennó.

“Os gestos mais comuns são retenção e inclinação de ombros, mãos cerradas, cabeça inclinada, ombros projetados para frente, passadas incompletas, passadas impactantes demais”, explica Sarkis. Esses vícios podem ocasionar dores lombares e nos ombros e braços, por exemplo, ou lesões por impacto excessivo. Além disso, a vestimenta, acredite, também é um item muito importante. “Roupas que te deixem confortável são ideais, pois não atrapalham na corrida”, indica Mariana. “Para as mulheres, usar sutiã ou top de tamanho adequado ou até mesmo os dois juntos é importante para proporcionar um conforto maior”, finaliza.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Que zona é essa?




Como entender melhor as zonas de treinamento - ou de frequência cardíaca - e usá-las a favor do seu treino

Por Gabriela Capo

Se você tem vontade de calçar os tênise ir logo às ruas, atenção: antes de começar a treinar, visite um especialista para a realização de um exame ergométrico ou ergoespirométrico — este último permite identificar as zonas ideais para o treinamento aeróbio — com a finalidade de analisar a resposta hemodinâmica, ou seja, a pressão e o movimento da circulação sanguínea, e das frequências cardíacas. “As zonas de treinamento, também conhecidas como ‘zonas-alvo’, são aliadas do corredor”, diz Fernando Pessoa, professor da Race Consultoria Esportiva.

Elas servem de parâmetro para determinar a intensidade da atividade física. “Isso fará com que se trabalhe a carga de exercício com mais segurança. Assim, você treina com o condicionamento físico dentro do limite do seu corpo”, explica. Zonas de treinamento são definidas por faixas de frequência cardíaca e visam delimitar o tipo de estímulo a ser aplicado ao corredor. “Enquanto pessoas menos condicionadas devem treinar em zonas menos intensas, corredores treinados precisam de maiores esforços para continuar evoluindo”, esclarece Renato Dutra, supervisor técnico da Run&Fun Assessoria Esportiva.

O importante é que seja respeitada a individualidade do atleta. “É melhor que o
corredor seja orientado por um treinador. Se isso não for possível, ele pode avançar de zona caso não sinta muita fadiga nem dores musculares depois dos treinos”, explica Dutra. “Além disso, deve permanecer entre duas a três semanas no mesmo nível, até que a intensidade ou duração aumentem”, complementa. Há duas maneiras de se medir a frequência cardíaca: pelos monitores de frequência cardíaca (ou frequencímetros) que oferecem essa função e usando a Fórmula de Karvonen, na qual você diminui sua idade de 220. “Mas é uma fórmula sujeita a erros”, alerta Dutra.

Faixas de frequência

HÁ CINCO ZONAS DE TREINAMENTO

Para os iniciantes, a zona de manutenção é a mais recomendada, já que usa de 50% a 60% da FC máx. (frequência cardíaca máxima). Além disso, é considerada uma corrida para restauração. “Essa zona de treino é bem confortável e a mais utilizada para iniciantes ou treinos mais suaves”, explica Fernando Pessoa.

A zona aeróbia lipolítica tem como principal fonte energética a gordura. Esse treino, feito principalmente para a perda de peso, usa de 60% a 70% da FC máx. e deve ser aliado ao consumo de proteínas.

Quando o atleta quer adquirir resistência física, usa de 70% a 80% da FC máx. por meio da zona limiar aeróbica. Esse treino, muito utilizado por atletas profissionais, visa o vigor muscular e a melhora no bombeamento e oxigenação do sangue.

Após adquirir certa resistência física, o corredor não sentirá tanto o desgaste físico e passa a usar 80% a 90% da FC máx. com a zona mista. Com ela, a circulação do oxigênio no sangue e nos pulmões apresenta uma melhora.

A zona de esforço máximo utiliza entre 90% e 100% e é usada pelos atletas que precisam de explosão, como Usain Bolt nos 100 metros. O risco de lesão é alto e o treino deve ser intercalado com outros mais leves, como a zona de manutenção.